O vento
batia-me na cara, suave e ligeiro, como sempre o fazia, mas hoje era como se
fosse uma carícia calculada a cada segundo da sua duração. Por momentos
senti-me em casa. O perfume que a aquela bela e velha roseira emanava, fazia-me
viajar até aqueles tempos de jogos de ignorância com bolas de trapo.
Tinha
saudades daquela rotina que marcava os meus dias felizes, o som das portadas de
madeira escurecida pelo tempo a roçarem-se como se fossem dois irmãos a dançar
ao som da melodia, que esse mesmo vento fazia com as árvores, as brincadeiras
com as portadas. O cheiro a velho, o som gasto e a visão pouco nítida,
fizeram-me relembrar que a viagem não seria apenas uma breve e fresca memória
daquilo que o fora antes, mas sim o que tratará a seguir.
Todo o tipo
de bicho com cores da terra, coloria as escadas esverdeadas pela chuva que
apodrecia, os búzios das brincadeira esquecidos que, embora gastos faziam
lembrar os tempos faz-de-conta, tornavam cada passo meu, um tumulto na minha
alma e aclamavam por uma vingança, ou, pelo menos, uma luta justa.
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