Saramago dizia aos jornalistas e outros escritores, que aborrecia-se ao falar de literatura, que preferia falar do mundo, porque o mundo precisa de ser falado.
O Médio Oriente precisa de ser falado, Istambul precisa de ser falado, o Brasil precisa de ser falado, esta geração precisa de ser falada. Esta geração estava á espera. Estava á espera de educação, de liberdade, de emprego. Estava à espera de participar de mudar o mundo.
Graças ás redes sociais, estas gerações podem partilhar as suas frustrações. Deixaram de estar sozinhos.Agora têm aliados. E têm poder.
Os governos poderiam tentar criar uma geração com ideias proprias, autonomia, que criassem crescimento, ao invés disso, poupam no unico sector que não deveriam cortar: Na Educação.Estão a criar uma juventude sem prespectivas, uma juventude mesquinha e acostumada ao marasmo, sem espirito de iniciativa nem ciratividade.
Antes, a riqueza das nações dependia de capacidades de acesso a recursos naturais e de acréscimo de níveis de produção.Agora, a chave do progresso devia depender do conhecimento.
Mas em Portugal existe umdéfice de desenvolvimento científico e tecnológico,
talvez fruto da interiorização de um sentimento muito antigo, que
origina o desprezo pelas artes mecânicas, estimulantes do dinamismo da
economia, e a valorização das ocupações políticas, académicas e
guerreiras, propícias à letargia da sociedade.
O nosso atraso científico e tecnológico é fruto das decisões politicas, que levanta dificuldades ao empreendedorismo, à
abertura e à inovação. O atraso científico e tecnológico é também
consequência da inacção dos agentes económicos, que quase sempre
preferem o culto do negócio, isto é, a compra e a venda, em prejuízo da
produtividade, que é o alicerce da criação da melhor riqueza. O atraso
científico e tecnológico é também a consequência da falta de uma
estratégia de desenvolvimento, insuficientemente procurada pelas
universidades, nem sempre admitida como indispensável pelos governos,
nem sequer requerida pela própria sociedade. O esboço de uma tal
estratégia de desenvolvimento exige, entretanto, maior investimento. Com
efeito, o desenvolvimento científico e tecnológico não será uma
realidade, nem sequer um projecto, enquanto o financiamento médio por
investigador em Portugal for de cerca de 1/3 da média da Europa, que por
sua vez é de cerca de ½ da média dos Estados Unidos, e enquanto a
percentagem de licenciados em Portugal for de apenas ½ da OCDE.
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